quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Interestelar




Teu amor, pra mim, foi uma super nova
Explosão de brilho sem fim
Luz de uma galáxia inteira
(E, para citar o Bhagavad Gita:)
"Se centenas de milhares de sóis nascessem ao mesmo tempo no céu, talvez seu resplendor pudesse assemelhar-se à refulgência de sua forma universal"
Eu, pequeno sol ensimesmado,
Rodopiei alegremente ao teu lado
Sem perceber tuas ejeções de massa e matéria.
Alheio aos teus ventos estelares.
Teu amor se consumiu em si mesmo...
Esfriou... e no espaço tempo que se seguiu
Não se conteve, se transformou em algo maciço e compacto.
Nem minha luz escapou.
Preso a ti, minha deformidade temporal, eu nada via, nada sentia.
Lentamente a consumir-me em ti
Porque tinha os olhos para o brilho do passado.
Paradoxo... olhar o passado e consumir o futuro neste ato...
Ninguém resiste à sua singularidade (já deveria mesmo saber disso).
Talvez, milhões de anos depois,
Possa captá-lo ocasionalmente pelas lentes poderosas de algum Hubble qualquer
A consumir estrelas mais brilhantes e, quem sabe, arrotar seu jato de energia.
Incógnita. Charada. Interrogação.
Quem sabe quantas leis da física quântica poderão explicar-lhe
E eu, boquiaberto, a tentar captar a mística das suas fórmulas e variáveis.
Porque tudo teu aponta luz. E trevas. E alegrias. E desespero. E incompreensões.
Olho pro céu, novamente.
Quem sabe o brilho fugidio das estrelas possa candidamente me embalar.
- Luz do passado, dirão uns.
- Luz do presente, direi eu...

(Deo)

* Imagem: Concepção artística de um buraco negro, do filme Interestelar, de Christopher Nolan

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