domingo, 18 de dezembro de 2016

Não há de ser nada





Sabe, eu, menino que sou, andando ao lado e ziguezagueando nesta vida, me proponho a ser nada. Resoluto-me a ser nada. Que mal haverá em não saber das coisas o tino? Ou de arrefecer-me escandalosamente à tarde, frente ao calor do dia, a esperar calmamente a brisa da noite a cutucar-me os cabelos e tirar-me o suor da fronte? Eu, que nada, me refastelo nos dias como valsa. Se é hora de comer, eu como. Se é hora de dormir, horas! Durmo! E o curso da vida vai passando, nesse meu meio emblemático não ser, neste balaio de coisas que invento e coleciono. E tem você. E tem eu, E tem nós. E tem tudo. 

(Deo)

*Pintura: "Paz", de Manuel Alejandro Rodriguez Alvarez.