terça-feira, 15 de novembro de 2016

O voo




Distâncias voadas e diminuídas:
Entendi tanto de sua poesia;
Desse teu pé de laranja lima
E do som dos pés arrastados na brita.
Do cheiro do chá de erva cidreira
E das quaresmeiras em flor
(Que, ironicamente, colocam flores roxas azuis, encarnadas... como teu segredo e o meu).
As serras que circundam tua cidade (não a minha!),
Cujas cristas parecem teu mar revolto -
Que, como petróleo, arrasta multidões sem fim
E o teu espreitar, no meu eterno oscilar...
Mas, então, não era
E o agora já não pôde mais se sustentar no depois.
Não voltarei de mãos vazias...
Trarei um punhado de tuas lembranças, de tuas essências
(Ainda que só um cadinho)
Pra poder acalentar a dor da saudade...
Vai embora, amor meu.
Vai embora.
Fico aqui com meus campos de trigo e volto pra minha roseira
E que haja mais flores que espinhos no seu caminho.

(Deo)

*Pintura: Ícaro, de Henri Matisse

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