domingo, 8 de maio de 2016

Carrossel




Sua presença deu lugar ao vazio
Quando, no carrossel do tempo
Perdi você de vista
Alegre, solitário
De repente você desceu
E me deixou a girar
A música a tocar já não é mais a antiga
Mas um novo som do que virá.
Estranho... nem percebi o que aconteceu.

(Deo)

* Música: "Rosa Alvarinha", de Comadre Fulozinha

sábado, 7 de maio de 2016

Felicidade

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Às vezes, a felicidade é uma mesa novinha de madeira ao pôr do sol
Como o inesperado que pode acontecer ali, pertinho
Ao virar a esquina.
Às vezes a felicidade é um pôr de lua nova
Como o sorriso da criança
E as tantas possibilidades que sua tenra vida pode trazer.
Às vezes a felicidade é uma varanda a dois, com conversas triviais e entreolhares
Como um caminho por onde você passa cem mil vezes
E, por ser tão familiar, você secretamente o abençoa por já ser parte de você.
Às vezes a felicidade não se esconde
Apenas se deixa ficar:
Escondida no repentino, no cotidiano, no comum, no incerto.
E a gente (ainda assim!) buscando mil léguas a tentá-la encontrar

(Deo) 

*Pintura: Hot air balloon, de Vladimir Kush

domingo, 1 de maio de 2016

Trindade


              Engraçada... Assim definiria a bagunça que tens feito em meu centro.
Engraçada, pois cada vez que vejo desnudar-me no que tenho de mais escondido, cada vez que vejo afrouxar as pedras desse caminho que criei com tantas certezas, cada vez que bagunças (coisa que fazes com maestria) meus armários encefálicos, cada vez que cegas-me com tanta luz nas minhas manhãs fotofóbicas, inundas-me com tanta dedicação em teu mar agitado que consigo ouvir mansidão, cada vez que apresentas-me esta linda loucura que tentas decifrar metamorfose, faz-me sorrir de felicidade, por querer-te meu, sempre e amiúde.
Questionador... Assim definiria o pulsar que tens feito em meu âmago.
Questionador, pois o entre-lugares onde me colocaste deixa fogo e paz nas imaginativas razões desse nosso caminho perdido.
Sagrada... Assim definiria a tua etérea presença em mim.
Sagrada, pois a verdade que descortinas reside em mim há milênios e não me cabe (porque não me pertence), mas a ti, que sublime te elevas.
E, neste ato, me tornas onipotente como teus sonhos, onisciente como teus atos, onipresente como teus desejos.

(Pit, Gela, Deo)

Refúgio



REFÚGIO (part. Pedro Martins)
(O Teatro Mágico)


Existe vida após tua vinda
Coloque a minha na bagagem
Demita a vista que não ensina
Me vista de eternidade
E de tudo que se foi
E de tudo que virá
O que se passa agora
A gente deixa como está

Atravessando nós
O silêncio da tua voz
Traz o medo que isso possa ser
O que eu não quero ouvir

O meu refúgio é teu descanso
Onde nosso sonho, em teu dorme
Domina as pausas do meu canto
Enquanto domino, o teu sorri

E tudo que escrevi
Talvez venha a se apagar
Por enquanto a gente vive
O tempo voa devagar

Silenciando nós
Através da tua voz
Traz o medo que isso possa ser
O que eu não quero ouvir

Quando eu quiser cantar contigo
Com os anjos
Com os anjos

Quando eu quiser cantar contigo
Com os anjos
Com os anjos
Com os anjos
Vou te visitar
Dormindo

Quando eu quiser cantar contigo
Com os anjos
Com os anjos
Quando eu quiser cantar contigo
Com os anjos